sábado, 16 dezembro, 2017

Laboratório comunitário sob ética hacker

Créditos: Gabriel Tôrres/CT

Laboratório comunitário sob ética hacker

O Teresina Hacker Clube está aberto para quem quiser ensinar e aprender algo novo

Autor: Claryanna Alves

“Gostar de aprender, gostar de ensinar o que aprendeu e estar vivo. Não necessariamente nessa ordem”, esses são os três pré-requisitos para participar do Teresina Hacker Clube. O laboratório comunitário abre espaço para quem tiver um projeto e tenha vontade de desenvolvê-lo e, também, para quem tem vontade de aprender. “Basta comparecer!”, diz Lucas Mac, co-fundador do laboratório.

A ideia de criar o laboratório veio quando Lucas foi a São Paulo conhecer o Hackerspace, um espaço de realização de projetos em diversas áreas relacionadas à tecnologia ou que a criatividade permita o fomentando, a troca de conhecimento e o compartilhamento de idéias. “Queremos aqui também mostrar a essência da Cultura Hacker, que é basicamente compartilhar conhecimento de forma livre”, explica.

Lucas Mac  Foto: Gabriel Tôrres/CT

Atualmente, o Teresina Hacker Clube conta com 20 pessoas que participam do laboratório desenvolvendo projetos. Dentre os projetos desenvolvidos tem o “Pega Busão” e o “Peba”.

O “Pega Busão” é um projeto, ainda em desenvolvimento, que pretende facilitar a vida das pessoas que dependem do transporte público na nossa capital. O aplicativo mapeia as rotas de ônibus e faz uma listagem de todas as rotas que passam em determinados pontos.

Para desenvolver esse aplicativo, os hackers estavam contando com a prefeitura de Teresina para pegar informações e implementar a tecnologia, mas a prefeitura lançou com antecedência o Moovit. “Estávamos fazendo esse trabalho gratuitamente junto com eles, só que simplesmente deixaram de nos mandar informações. Acabaram que deram preferência a uma tecnologia israelense ao invés de algo local”, conta Lucas.

Peba

O “Peba” é um site desenvolvido para facilitar o serviço de transparência dos gastos públicos. Inicialmente o site disponibiliza apenas informações sobre os deputados federais, com foto, comprovantes de gastos e quantos votos receberam. Em breve o site deve ser implementado com informações sobre senadores e governadores.

Foto: Reprodução

Para as eleições do ano que vem, o “Peba” deve trazer informações sobre os candidatos para facilitar a escolha do eleitor. “Muita gente nem lembra em quem votou nas últimas eleições, imagina se ele sabe que seu candidato está envolvido em algo ilícito”, completa Lucas.

“Serviços Especializados que NÃO fazemos”

É comum associarem, erroneamente, a palavra hacker a crimes online. Então, a página de Facebook do laboratório acaba recebendo, com freqüência, propostas ilícitas. Um dos casos que mais chamou a atenção foi o de um estudante de direito que havia passado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas estava com pendência em uma disciplina na faculdade. O estudante entrou em contato com o Teresina Hacker Clube e pediu que os hackers invadissem o site dessa faculdade particular e alterassem suas notas para que ele pudesse se formar. “Como pode um futuro advogado querer usar de artifícios ilícitos, antes mesmo de assumir?”, questiona Lucas Mac.

Foto: Reprodução/Internet

Inspirados em casos como esse, o Teresina Hacker Clube criou uma lista de “Serviços Especializados que NÃO fazemos”. A lista conta com os seguintes itens:

  • Descobrir senha do Facebook da namorada;
  • Recuperar senha esquecida;
  • Recuperar arquivos apagados e HDs atropelados;
  • Invadir servidores (inclui “Hackear sites”);
  • Criar softwares e programas para empresas e para projetos mirabolantes (incluindo “startups”);
  • Realizar projetos de hardware ou software para trabalhos de colégio ou faculdade;
  • Vídeos na internet e instalações artísticas;
  • Alterar notas em boletins escolares;
  • Programas para redes sociais;
  • Programas contra a pornografia na internet (só se for contra pedofilia… aí pode!).

Code Clube

O Code Clube é uma rede mundial de clubes de programação para crianças que fornece material de ensino e estrutura de voluntariado que apoia a realização de atividades extra-curriculares ligadas à programação de computadores.

Recentemente, o Teresina Hacker Clube foi convidado para participar dessa iniciativa. “Estamos esperando os computadores da ATI (Agência de Tecnologia da Informação do Estado do Piauí) e de doações para iniciarmos. Vamos ensinar programação para crianças carentes”, finaliza Lucas Mac.